HOMENAGEADO DA SEMANA
Poliana Policarpo

Filha de Idelbrando Marques de Magalhães e Josefina Policarpo de Jesus, foi mais uma daquelas crianças sertanejas, tocadas pelas mãos firmes de uma mãe aparadeira na casa de pau-a-pique de sua avó, lá no interior sergipano. Tempos depois conheceu Vitória da Conquista, seu eterno lar, e aqui foi registrada. Da fusão da sergipana com o baiano resultou uma menina de traços fortes, astuta e sonhadora. Estudou nos colégios Tarcísio, Normal e Juvêncio Terra.

Ainda em tenra idade, guarda a lembrança do seu pai, lhe presenteando com um pequeno livro de história, cujo título era: Cachinhos de Ouro. Na semana seguinte, outro conto, passou então a ler todos os clássicos infantis, aos quais teve acesso. Leu o pequeno Príncipe, descobriu o verdadeiro significado da amizade. Folheava o romance Escrava Isaura, em cujos meandros viajava pela sua precoce inclinação para a literatura.

Aos poucos foi crescendo. Um dia, novamente, o estimulador de suas leituras lhe apresentou um livro especial, não apenas por ter sido responsável pelo seu nome, mas por trazer uma lição de otimismo. Poliana – romance que marcou o final de sua infância.

Na adolescência, leu Machado de Assis, José de Alencar. Guimarães Rosa, Érico Veríssimo e tantos outros que moldaram seu perfil poético.

E inserida nesse mundo de verso e prosa, um dia foi apresentada ao teatro, pelo artesão das artes cênicas, garimpeiro da poesia: o amigo Carlos Jehovah. A pessoa que a incentivou, que lhe emprestou obras, que fez despertar nela o encanto pela arte das musas (a poesia). Que leu também seu primeiro poema, intitulado sensibilidade, criado em sala de aula, fruto dos arroubos daquele tempo e lido por sua Tia Rose no Juvêncio Terra.

A partir de então, vez ou outra, estava lá, do nada, com um lápis e um papel na mão a imaginar, a sentir e a sonhar...

Casou-se aos 22 anos com Luiz Carlos da Silva Aguiar, um grande companheiro de todas as horas e incentivador de todas as suas atividades, especialmente as ligadas a arte literária. Tem uma filha encantadora de 12 anos, Larissa Magalhães Aguiar.

Escolheu anos depois uma ciência social para se graduar, fez direito pela universidade estadual de Santa Cruz - UESC, especializou-se na área de Direito Processual pela UESB, foi assessora da presidência OAB/BA (Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção de Vitória da Conquista – Bahia). Foi Vice presidente da comissão de direitos humanos da OAB, atuou na comissão de assistência técnica judiciária gratuita, foi no presídio José Nilton Gonçalves. Atualmente é 1ª secretária da OAB/BA – Subseção de Vitória da Conquista Gestão 2007-2009.

Iniciou-se no magistério como professora substituta de Direito Constitucional I na Fainor (Faculdade Independente do Nordeste) – Vitória da Conquista - BA. Logo depois lecionou Ciência Política e Teoria Geral do Estado, na mesma instituição. Foi professora de direitos humanos e de história do direito da FTC (Faculdade de Ciências e Tecnologia), foi professora de Introdução ao Estudo do Direito I e de Direito Civil I, coordenou o núcleo de estágios e trabalhos acadêmicos da Fainor onde, atualmente, leciona Ética Profissional.

Fez doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais Ministrado pela Universidade Del Museo Social Argentino – Buenos Aires – Argentina (Curso em Andamento). Além de sua atuação na área Jurídico-Acadêmica, também desenvolve atividades culturais. Foi primeira secretária, Diretora de Relações Públicas e atualmente é Vice-Presidente da Casa da Cultura de Vitória da Conquista-BA. Ministra Palestras e Oficinas na área de Literatura.

Ingressou em agosto de 2005, como membro efetivo da Academia Conquistense de Letras de Vit. Da Conquista-BA, de que atulamente, é vice-presidente. É também presidente do Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista.

Ao fazer o curso de Direito, afastou-se um pouco da poesia, deixou a literatura jurídica engressá-la, mas não foi culpa da Direito, ciência que respeita e admira. Só que uma vez poeta para sempre poeta. Os dizeres momentaneamente presos foram libertados, novos traçados foram surgindo.

"Representa a responsabilidade de defender a dignidade da palavra, não no sentido de ficarmos presos à rigidez das normas gramaticais, mas para preservar a essência da palavra, pois sabemos que nos dias atuais abre-se uma frente da ameaça à nossa língua, em virtude da informatização. Sei que precisamos de máquinas neste período de mundialização, mas não podemos renunciar à primazia da defesa da palavra, de nossa língua, símbolo maior de um país.

Resgatar o hábito da leitura em nosso jovens, principalmente começando pelos nossos escritores. Se não desenvolvermos esta consciência, estaremos contribuindo para um mundo vazio, moralmente contaminado. Passaremos a dizer coisas diferentes daquilo que pensamos, não teremos senso crítico, aprenderemos a não acreditar em nada, a ignorar os outros, a se importar somente com nós mesmos. Não podemos deixar nossa sensibilidade padecer.

As pessoas não precisam de uma inócua, semelhante a alguma tardes de domingo. Temos que manter nosso espírito aceso, seja lendo, dançando, vivendo. Não podemos permitir que os sonhos morram. Não podemos nos entregar às patologias, as psicoses, não podemos ser covardes. E, lembrando, tudo começa pela defesa da palavra."



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