Edmilson Santana
Edmilson nasceu em Itapetinga, aos 20 de julho de 1970, mora em Vitória da Conquista desde os 7 meses e há 7 anos renasceu em Lagoa Real, conforme ele mesmo faz questão de anunciar, ao resgatar e reconhecer sua raiz no sertão - terra onde partiram seus avós maternos para a região da mata, açoitados pela seca, de onde herdou o sobrenome Santana.

Esculturas, troféus, monumentos, marco histórico, cenários para teatro, para televisão, para cinema, para festivais de música, logomarcas para administração pública, para empresas de diversos setores, selos comemorativos, bandeira, brasão de municípios...

NE – Quando começou a trabalhar com arte?
ES – Tive a sorte de ter sido uma criança que brincou de gude, que soltou pipa, que tocou peão, que brincou de peixe - depois de uma chuva, desenhava um grande peixe na terra úmida e dividia em várias fatias; e, com uma faca cega, ou chave de fenda sem cabo saía finncando a ponta, sem ferir o risco. Talvez, foram os meus primeiros riscos. Tive uma infância desprovida de brinquedos industrializados. Então, tive que fazê-los. Fiz carrinhos de lata, puxados com cordão, desfiado de sacao de farinha; rodas cortadas das sandálias usadas. O que se fala hoje de reciclagem, não é novidade para mim. Reciclei a mais de 30 anos! A boleia do meu carro era de lata de óleo. O eixo era do raio de bicicleta. Não tive bicicleta... Mas fiz patinete, fiz lambreta com rolamentos que encontrei nas sucatas. Já montei em cavalo, feito com cabo de rodo e em égua, feita de cabo de vassoura... Fiz até galeota, pegeui carrego na feira e ganhei alguns trocados. Há muito tempo a arte me sustenta e eu sustento ela!

NE – O que é arte para você?
ES – ArtE é uma palavra que começa com a letra A, de Antônia (minha mãe); termina com E, de Eliotério (meu pai); e continua com E, de Edvaldo (meu irmão); E, de Ednice (minha irmã); de Edmilson (o caçula)...

NE – Quaanto tempo leva para realizar uma escultura?
ES – A resposta está em Eclesiastes 3: 1-8;

NE – Que materias são utilizados na produção de uma peça?
ES – Os materiais são diversos. A natureza do trabalho é que vai definir. Já modelei em areia de praia e de barro de rio; em biscoito de goma levado ao forno para matar a fome de arte com café. Já desenhei com carvão, na ponta de um tição. Já usei ferro e concreto, fibra de vidro, pedra, prata; já pintei com lama; já esculpi em madeira, em parafina, em casca de melancia...

NE – Como nasce uma idea e o que é para você a inspiração?
ES – É um parto com todas as "dores" possíveis e prováveis. A inspiração, para mim, é o ar que inspiro. Já houve quem dissesse que uma idea é "1% de inspiração e 99% de transpiração"... Na fusão das duas palavras, eu fico com a "ação"...

NE – Em que momentos você tem as melhores ideias?
ES – Nos piores.

NE – Como uma obra artística deve ser avaliada?
ES – Quando um militar, perguntou a Picasso, diante daquele quadro inspirado na Guerra de Guernica, com aqueles corpos disformes, decapitados: "Foi você que fez isso?" Pablo respondeu: "Não fui eu, foram vocês que fizeram." E quando uma "dondoca" perguntou para o mesmo espanhol, diante de um outro quadro em exposição: "O que significa isso?" Ele respondeu: "Significa 20 mil dólares."

NE – Que artista você admira e de que maneira tem influência na sua vida?
ES – Admiro toda criação de Deus. E nem preciso dizer que é Ele quem mais influencia minha obra.

NE – Você sofre ao se desprender de uma peça que tenha vendido?
ES – Sim, sofro. Pois quem compra, pensa que pagou... E quando vendo, penso que me desprndi. Mas, não sou daqueles que ficam lambendo a cria, "Os filhos (como bem define o poeta Khalil Gibran), são flechas vivas, que devem ser arremessadas... E da mesma forma que o arqueiro ama a flecha que voa, ama, também, o arco que permanece estável." Eu lanço meus trabalhos na arena para enfrentar as garras, as presas e as línguas das feras...

NE – Qual de seus trabalhos é o que você mais gosta?
ES – Gosto do trabalho de assinar todos eles.

NE – Três ideias criativas que você gostaria que tivissem sido suas?
ES – Eu gostaria de assinar as tr6es pir6amides do Egito. É meio deserto onde me encontro com as ideias.

NE – O que você aconselharia ao iniciante na arte?
ES – Eu aconselho oa iniciante na arte que duvide dos conselhos. Que acredite em suas convicções, intuições, naquilo que é nato. "Reprodução" de conselhos não é arte, é quase artesa-nato. Ao invés de conselho, vai um alerta: Não assine um trabalho isoladamente! Assine toda sua obra. dirijo-me aos iniciantes, incluo a garota de 13 anos, já com os pés no teatro, na ppoesia e sonha em fazer arquitetura, Viviane Oliveira, minha sobrinha, que está aqui do meu lado durante esta entrevista.



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