Marcelo Nova
Norma Eliete - Como se sente sendo neto, filho de advogado e também advogado?
Marcelo Nova – Tive o privilégio de começar minha carreira profissional há 15 (quinze) anos junto a dois experientes advogados — meu pai e avô — que me ajudaram a traçar os primeiros caminhos da advocacia. Sinto-me honrado em dar continuidade à tradição familiar, começada por meu bisavô, na área do direito, há aproximadamente cem anos.

NE – Como você analisa o avanço do número de faculdades de direito?
MN – Atualmente existem no Brasil mais de mil faculdades de direito e cerca de 2,5 milhões de vagas, entretanto os baixos índices de aprovação nos exames da OAB refletem e sinalizam o comprometimento de qualidade da maioria desses cursos. Embora o Governo Federal esteja revendo alguns critérios de autorização, cancelando vagas de cursos que não mantêm exigências mínimas de funcionamento e firmando termos de compromisso com outras Universidades, se fazem necessárias medidas mais drásticas, eficientes e rápidas. Objetivando também inibir a mercantilização do ensino jurídico, tanto quanto elevar o patamar qualitativo do exercício da profissão, imperioso que os princípios para concessão de abertura e manutenção das faculdades se concretizem mais apurados e prudentes, com o envolvimento, inclusive, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) nas mesas-redondas de discussão.

NE – O crescente número de advogados no mercado afeta o exercício da advocacia?
MN – A competição é saudável e igualmente um fator positivo para o aperfeiçoamento da melhoria dos serviços. Lado a lado com esse elemento predominantemente insubstituível, coexiste o fato de nem todo graduado em direito optar pelo exercício da advocacia. Se assim não fosse, o mercado decerto ficaria saturado, com oferta superior e desproporcional à procura. A situação ideal sugere profissionais em número suficiente para atender a demanda com qualificação e sem banalização da profissão.

NE – O crescente número de advogados no mercado afeta o exercício da advocacia?
MN – A competição é saudável e igualmente um fator positivo para o aperfeiçoamento da melhoria dos serviços. Lado a lado com esse elemento predominantemente insubstituível, coexiste o fato de nem todo graduado em direito optar pelo exercício da advocacia. Se assim não fosse, o mercado decerto ficaria saturado, com oferta superior e desproporcional à procura.A situação ideal sugere profissionais em número suficiente para atender a demanda com qualificação e sem banalização da profissão.

NE – O que você faz contra o stress?
MN – Nesta vida atribulada e corrida não há como fugir do stress. Dizem os estudiosos que o stress é até necessário e um estímulo para a vida salutar, tal qual uma dose maciça de adrenalina na corrente sanguínea.Especulações à parte, essencial parece ser não se entregar aos problemas e direcionar o tempo no sentido de ainda caber lazer, atividade física e descanso. Existe algo melhor à noite e/ou nos sábados, domingos e feriados do que relaxar com os filhos e esposa? se divertir com bons amigos?

NE – Qual o melhor jeito de lidar com o imprevisível?
MN – O imponderável, o imprevisível! faz parte da condição de humanidade de todos nós. Simplesmente acontece e ponto final.Pelo próprio estado de imprevisibilidade, não há como se ter antecipadamente uma melhor ou pior forma (ou fórmula) de lidar com — até porque assim já não seria imprevisível. O máximo é aprofundar a crença na sabedoria do processo da vida, não estabelecendo de antemão ser ou não ser necessariamente bom ou mau, um bem ou um mal! o que ainda não se experimentou.Muitas vezes o que se julgava vir a ser um castigo pode se apresentar como bênção e vice-versa.Fazer o quê? talvez reinventar continuamente! mas sempre no talvez, no porventura, no quem sabe pode ser, haja vista ser em todo o tempo, sem cessar, constantemente imprevisível!

NE – É possível construir o próprio futuro?
MN – O futuro é outro terreno escorregadio, para não cair na redundância do enfim imprevisível.Inegável, porém, que a construção do futuro ocorre outrossim e concomitante no tempo presente, subproduto um do outro. Plantar para colher é uma das leis simples, no entanto das mais soberanas e universais. Essa construção, não obstante, da mesma forma é individual e singular; e passa por um mecanismo de interiorização (por vezes doloroso) e conseqüente adoção de postura ativa e particularmente ética frente aos desafios, grandes ou pequenos. A grande armadilha (do tempo! e em qualquer tempo) é preterir a auto-responsabilidade e entrar no jogo fatal de se perceber uma vítima, negando a distinção legítima de ser o arquiteto (que dá forma e sustentabilidade) na constituição incomum, mas afinal única dos seus próprios trilhos.

NE – Dê um conselho de um pai jovem.
MN – O primeiro verbo sem dúvida é amar e MUITO!

Como complemento (do verbo): não ser um mero espectador na vida dos filhos; participar de forma ativa e intensa de todos os momentos, bons ou não; conceder direitos e impor limites; respeitar a individualidade e as diferenças.

Não é uma tarefa fácil! Contudo o esforço diário e efetivo possibilita o compartilhamento de experiências e sentimentos entre pai e filho, imprescindível para o crescimento orgânico e amoroso de ambos.



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