Paulo Pires
Professor Uesb há 31 anos - Lotado no DCSA - Campus Vitória da Conquista - BA. Mestre em Contabilidade - Gestão Empresarial - FVC - Salvador - Bahia Pós Graduação em Contabilidade - Pontifícia Universidade Católica - PUC - Belo Horizonte - MG.
Dois Cursos Avançados - Contabilidade e Finanças - FGV - Fundação Getúlio Vargas - RJ. Ex-professor FAINOR e Faculdade Juvêncio Terra.
Fundador dos Cursos de Ciências Contábeis UESB e FAINOR .
Ex-Coordenador dos Cursos de Ciências Contábeis UESB e FAINOR .
Ex-Vice Diretor da Escola de Administração da UESB (1983/86) .
Assessor Empresarial - Finanças de Empresas.
Consultor para Prestação de Contas Entidades Públicas Descentralizadas.
Especialista em Estrutura e Planejamento Contábil Tributário.
Palestrante concentrado na área de Gestão Empresarial
Mediador, Debatedor, Coordenador e Palestrante em dezenas de Eventos Acadêmicos Contábeis.

Norma Eliete - Quais os princípios básicos que norteiam o ensino?
Paulo Pires – Há controvérsias sobre esses princípios. Todavia, diria que alguns elementos são essenciais para que o Ensino seja realizado a contento. Entre esses elementos, afirmaria que o Amor do Educador pela socialização do conhecimento é fundamental. Em seguida, afirmaríamos que o Compromisso e a Disciplina são basilares para que a relação Ensino-Aprendizagem se complementem com mais profundidade. Sem compromisso, conforme afirmou Paulo Freire, nem Educador nem Educando fazem boa Educação. Lembro também que Galileu já afirmava a seu tempo que ninguém ensina a quem não quer aprender. Pensamento este que foi partilhado por Maria Montessori A disciplina, no sentido grego do termo, é outro elemento imprescindível. A reunião do amor pela educação com o compromisso do educador e do educando, somados a disciplina do educando, mais a vocação que ele venha a demonstrar pela área de seu interesse, fazem com que o processo tenha bons indícios para formação de qualidade dos indivíduos.

NE – Que políticas são prioritárias para melhorar o acesso à modalidade e a qualidade do ensino oferecido?
PP – Tenho dito que uma das maiores revoluções que a Educação Brasileira poderia empreender, seria adotar desde o Ensino Fundamental um processo seletivo capaz de identificar quais as áreas de conhecimento que realmente provocam interesses nas crianças. Perde-se muito tempo em nosso processo educacional. Há alunos com os mais variados perfis (socioculturais) entretanto, pelo modelo atual, todos são tratados como se pertencessem a um mesmo tipo de núcleo familiar e social. Isso é danoso. A Alemanha tem procurado promover conhecimentos para seus jovens e adolescentes a partir de um processo de identificação daquilo que realmente constitui-se como área de interesse para o indivíduo.

NE – As licenciaturas em Educação são uma medida para acabar com o gargalo na formação?
PP – Sim. Entretanto, há um problema: Essas licenciaturas não são "modelos de prestígio" para parte considerável da Sociedade. Parte considerável de nossa sociedade introjetou em suas mentes que só determinadas formações (e profissões) é que representam melhores destaques laborais e em consequência disso, mais status social. Para exemplificar contaria o seguinte fato: Quando um Pai diz que o filho ingressou na Universidade. Alguém logo lhe pergunta: Que curso? Se ele disser que foi Medicina, logo o interlocutor usa uma exclamação para dizer: Que Bom! Mas se esse mesmo pai disser que o(a) jovem passou em Biologia, essa exclamação não terá a mesma reverberação. É o tal modelo de prestígio em primeiro lugar!

NE – O que é imprescindível levar em consideração para organizar as bases de funcionamento de um bom curso de licenciatura para educadores?
PP – Desenvolver um Projeto Pedagógico em consonância com o que há de mais atualizado sob o ponto de vista Didático-Pedagógico. Evidente que esse Projeto tem que atender às Diretrizes Curriculares estabelecidas pelo MEC, com as adaptações necessárias às questões regionais.

NE – O que falta para os docentes serem o centro das políticas educacionais?
PP – Compromisso dos Governantes e emparedamento constante por parte das Associações de Classe. O problema é que todo governante afirma peremptoriamente que tratará a Educação como ponto nevrálgico do seu Governo. Depois que assume é que se vê que nem tudo que foi prometido será cumprido. Esse emparedamento para ser bem sucedido tem que ter um trabalho de convencimento por parte das Associações Docentes junto a Sociedade.

NE – Qual a importância do Piso Nacional para os professores?
PP – O Piso foi instituído para que os Docentes tivessem uma remuneração mínima como garantia às suas atividades laborais. Do jeito que estava, era impossível realizar educação com qualidade. Finalmente, professor faz parte do Processo Educacional. Sem professor não há Ensino (seja ele formal ou não).

NE – É impossível melhorar o ensino sem ampliar os investimentos?
PP – Sim. Não há a mínima possibilidade de se fazer educação de qualidade sem investir maciçamente nessa área. Tanto nas Estruturas como no Plano de Cargos e Carreira, os investimentos tem ser constantes, sob pena de o processo caducar em seus objetivos. O mundo é um ambiente em constante mudança. E a Educação tem que estar atenta a isso. Senão estará distanciada do que o mundo reclama como conhecimento.

NE – O sistema do progressão continuada é uma boa estratégia para garantir a aprendizagem dos estudantes?
PP – Não. Pelos resultados obtidos, verifica-se que Progressão Continuada é um equívoco. Só serve para atender a alguns índices de Desenvolvimento Humano no que tange a gráficos. Na vida real é uma calamidade.

NE – Como você vê o Polo Educacional em Vitória da Conquista?
PP – Ainda em fase de ajuste (estruturais e pedagógicos). Algumas pessoas se impacientam, mas o processo é longo. Não se transforma a Educação de uma Comunidade em pouco tempo. No caso específico de nossa Cidade, essa complexidade se aprofunda em razão do número enorme de pessoa envolvidas no processo. São quase 50 mil pessoas e não é fácil da uniformidade ao pensamento de 50 mil pessoas em busca de um ideal. É preciso tempo, dedicação, mudanças, ajustes, redirecionamentos e visão holística ou sistêmica para se empreender Educação de Qualidade! Todos deverão estar comprometidos com a Causa. Sem Compromisso não se faz Educação de qualidade!

NE – Deixe uma mensagem.
PP – Uma frase de Rubem Alves, sobre Educação, bem recebida pelos professores: "As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos."



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